31 de outubro de 2013

Sacis, bruxas, doçuras e travessuras

Ilustração de um "Saci Pererê" japa, do jornalista Dilai Aguiar

O dia 31 de Outubro é mundialmente conhecido como o dia das Bruxas ou Halloween, festa típica que acontece nos países anglo-saxônicos, com especial relevância nos Estados Unidos. Aqui no Brasil comemora-se na mesma data o dia do Saci, símbolo do folclore e personagem presente em muitas histórias populares, além das que protagoniza. Clica aqui e aqui para ver posts passados onde "falei" do danado.
A festa do dia das bruxas como tantas outras tradições americanas, é um das que gosto, fiz algumas para meu filho em sua infância e curti como uma criança. Na minha infância não tinha essas comemorações. De bruxas, como filha de espanhóis, tradição é a frase extraída do livro Dom Quixote de Miguel de Cervantes: "Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay".
O evento pop tem origem em celebrações e rituais de povos antigos e a palavra Halloween tem muitas histórias de origem, uma é de que no século V DC, na Irlanda Céltica, o verão oficialmente se concluía em 31 de outubro e hallowinas era o nome dado às guardiãs femininas do saber oculto das terras do norte (Escandinávia).
Outra é que originou-se de uma versão encurtada da All Hallows' Even, a Noite de Todos os Santos, uma data do calendário católico de onde advém a brincadeira dos "doces ou travessuras" originária de um costume europeu pelo 2 de novembro, o Dia de todas as almas, chamado aqui no brasil de Finados, no qual os cristãos iam de vila em vila pedindo os chamados bolos de alma (quadradinhos de pão com groselha). Para cada bolo que ganhasse, cada um devia fazer uma oração por um parente morto de quem desse. Acreditava-se que as almas permaneciam no limbo por um certo tempo após sua morte e que as orações ajudavam que fossem para o céu.
Na Espanha, por exemplo, o dia 31 de outubro coincide com a colheita de castanhas e das famosas, apetitosas e assustadoras abóboras e acontece por lá uma festa além do Halloeen, a “Castanhada”. E lá, assim como no Brasil, ainda se mantém antigas tradições no Dia dos finados, das almas, ou das pessoas santas como se chama em alguns lugares,  como a reverência aos mortos, indo aos cemitérios para limpar os jazigos, "conversar" com as almas, rezar, levar flores.
O poder do marketing americano cuida de universalizar esta festa para proporcionar benefícios econômicos em vários setores, como em parques temáticos, livros, cinema e até na gastronomia e tanto aqui como na Espanha e em diversos lugares do mundo,  as festas de aniversário, escolas de idiomas, escolas de todas as faixas etárias e o comércio em geral enfeitam-se com as cores e os símbolos clássicos da data.
Curiosidades coloridas e uma sacizice para fechar a postagem: Laranja é a cor da vitalidade e da energia que gera força e os druidas acreditavam que nesta noite, passagem para o Ano novo Celta, espíritos de outros planos transmitiam boas energias através da cor. O preto é uma cor tida como gótica e cor sacerdotal das vestes de muitos magos, bruxas, feiticeiras. O roxo e o lilás são cores tidas como espirituais, cor da magia ritualística. Uma pena a pouca popularização e uso da imagem e da história do Saci, além do dia do Folclore, a reverência e presença dele em seu dia que é hoje, as escolas, no comércio. Ele não se faz de rogado de ficar ao lado de bruxas e abóboras. O uso de cachimbo e maus exemplos como justificativa não vou nem enumerar como prerrogativa. Valorização da cultura nacional, raízes, com direito a misturas. Globalizar não é adotar o que vem de fora empacotado, é associar, misturar, chupar cana e assoviar, ter uma perna só e mil braços para abraçar o que for bom de se agregar. Cores, doces, culturas e travessuras para hoje e para todos os dias!

30 de outubro de 2013

A partir dessa definição do poeta ilustrador passaversista, aparentado com Guimarães e Manoel, Alexandre Reis, concluo que inventar vocabulário, seria: inventabulário e cavucar e compartilhar criações alheias: cavucalhamento. Quem assina e aprova?
Já que coloquei Manoel na roda, não posso deixar de falar como cantiga que diga o tanto que tenho de bom a dizer sobre. Além de um palavrista, poeta e inventor de imagens que comungam sonho e realidade, com cheiros e sons de natureza, esse senhorzinho menino desafia a lógica e a imaginação dos seus leitores, é um cavucalhador de mentes e corações.
Orquestrando as palavras que todos conhecemos com outras paridas e algumas entrelaçadas em um cavucabulário invencionático compartilhado com quem tem asas, ele aproxima seus leitores do poder inerente a todos, o da criação e faz intima e produtiva a relação pessoal e coletiva com os ruídos e silêncios da natureza e das coisas.
Flora e fauna passam a ser para quem o lê, percursionistas e entre os cheiros das cores e gosto do vento, tampas de panelas, parafusos, portas e pratos ganham novos significados. Palavras, iluminuras e sentidos que que se unem em poesia, que cantam os valores que não estão nas coisas, estão em nós.

29 de outubro de 2013

Dona recordação

Lá nos idos de mil novecentos e antigamente as pessoas subiam no telhado para ajeitar a antena externa e a tv melhorar o sinal e haviam sob as tv´s antenas de diversos modelos, que para melhorar a qualidade era um tal de subir e descer as pobres, abrir, colocar armengues, trocar a tv de lugar, tudo isso em busca de uma imagem melhor. Hoje os sinais digitais dão variações em tempos muito chuvosos, vez em quando e do 3D a multi tela, funções e qualidade de imagem são coisas passadas.
Dessa lembrança me vieram outras como o uso do dedal por quem costurava, para a ponta da agulha não espetar no dedo,  eram de metal ou plástico, alguns de prata e quem sabe até ouro, simplórios ou chiquetosos, intactos ou muitos rabunhados e consumidos pelo uso e pelo tempo, eram herdados de mães, avós, tataravós. Peças de família, de recordações, de costurices que bem podiam e deviam ser usados ainda hoje e feitos personalizados e temáticos fazendo uso da modernidade. Fica a dica para ter um na caixa de costuras, presentear, usar como lembrancinha de eventos.
Acho interessante como os objetos tem esse papel, além de suas utilidades e reutilizações, há um que de memórias neles, um fio invisível que nos conduz a lembranças e devaneios.
Caneta Bic, Faber Fix e Kilométrica fizeram parte de minha história escolar e também uns cadernos dos pequenos e dos grandes, tipo brochura (sem espiral), chamados Caderflex, com capas de uma cor só, que usávamos um para cada matéria. O clássico, como a clássica Moleskine, era o vermelho. Lembrei dos blocos de papel de escrever cartas, com folhas pautadas e finas. Objetos de minha memória e da de tantas pessoas.
Fecho o momento Dona recordação com o pedido de comentários com listinha de outros itens e recordações de tempos passados e engomados. Sirvo um cafezinho pra modi a gente prozear, em um joguinho de chá de brincar de casinha, com biscoitos Tostines finos em uma cestinha de vime com paninho dentro e umas bolachas água e sal em pote de alumínio escrito biscoitos por fora para quem tá de dieta ou tem predileção por belisquetes populares.

28 de outubro de 2013

Baobices

Descobri em minhas pesquisas uma história da história de um dos livros mais lidos no mundo e um dos meu preferidos: O Pequeno Príncipe. Antoine de Saint-Exupéry, autor da obra, foi piloto de avião e teria passado pelo Brasil em julho de 1939, a caminho da Argentina e o escritor Diógenes da Cunha Lima, afirma que Natal foi a fonte de inspiração de Exupéry.
Essa afirmação se revela nas ilustrações das dunas, das estrela-cometa (uma imagem típica da cidade), das falésias, de um vulcão (que seria o Pico do Cabugi), além e principalmente do simbólico baobá.
E é por conta dessa história, de que o livro tem laços com a cidade que um baobá local foi batizado de Baobá do Poeta. Vale pontuar que não é esse que ilustra o post, ele, que suspeita-se foi a fonte da tão célebre obra, dizem, é muito mal cuidado e fica localizado na Rua São José, em Lagoa Nova.
Li por ai que em maio de 2009, um sobrinho de Exupéry em visita a Natal disse que aquela era a primeira vez que ele via de perto um baobá e teria confirmado que foi aquele exemplar o inspirador da obra do tio. No Brasil, existem poucos exemplares da espécie de origem africana, pelo sim pelo não, amo o livro, o príncipe, as ilustrações, as reflexões, todos os baobás e rosas, como plurais e como ímpares.

26 de outubro de 2013

Arrulhos de um bebe girafa

Arrulhos é uma palavrinha por mim colhida nos escritos de Manoel de Barros, que fui atrás do significado e é nada menos que o canto das pombas e rolinhas e uma figura de linguagem para toadas de embalar e para vozes ternas e meigas.
Na espera da voz falante terna e meiga de meu sobrinho passarinho que hoje completa um aninho e no momento como um bebe girafa, só emite poucos ruídos, trouxe essa palavrinha e a descoberta em uma pesquisa por curiosidades sobre as girafas, tema de sua festinha, de que as pescoçudas, que são os animais além dos passarinhos mais próximas do céu, hospedam algumas espécies de voadores em suas cabeças e eles catam carrapatos, fazem cafuné e se elas desem colher de chá, eu acho que os danados até fariam ninhos por lá.
Que ele cresça infante e amável como uma girafa, que é o animal com o maior coração que existe e que seja falante e cantante como um sabiá.
A todos os passantes, meu desejo de um final de semana apassarinhado. Até segunda!

25 de outubro de 2013

Festa, amor e devoção

"Reviro na palma da mão o dado
Futuro presente passado
Tudo sentir total
É chave de ouro do meu jogo
É fósforo que acende o fogo
Da minha mais alta razão"
Assistindo dia desses a um programa na GNT, com Cissa Guimarães e alguns artistas baianos, ouvi muitas histórias que gostei e com as quais me identifiquei. Teve bate papo com Gil, que misturando respeito, crenças e graça definiu seu medo e o meu de trovões, teve declarações, expressões e gestos da saudosa Dona Canô e todo seu candor e teve Bethânia contando que sua mãe dizia, que as pessoas não devem ficar sem 3 coisas: festa, amor e devoção. Nome dado a um dos trabalhos da cantora, que inclui espetáculo, cd´s e dvd.
E dentre os tantos tesouros colhidos, eu trouxe o recorte do poema canção entre aspas lá em cima, pois para mim, hoje é um dia de festa, amor e devoção. Dia do nascimento dos irmãos gêmeos Crispim e Crispiniano, irmãos de Cosme e Damião e dia do nascimento de um menino, rapaz, moço, caminhando para coroa, a quem amo de paixão. Um homem de muita devoção, amigo, namorado, marido dedicado. Um guerreiro e vencedor. Meu porto seguro, brisa boa, calmaria, chave que me abriu e ainda me abre muitas portas, tramela que escancara e tranca janelas, fósforo, vela, lamparina, sol que me ilumina, aquece, conduz.
Resolvi não economizar nos elogios, carinho, e declarações de admiração, pois o que é bom, o que merece, o que nos faz bem deve ser expressado, celebrado e não é cor de rosa a nossa relação, temos nossos desalinhos, mais não perdemos um para um outro, ganhamos juntos, nos encontramos nas nossas afinidades e respeitamos ou usamos como complementos as nossas diferenças. E assim vamos indo, lendários, entre rios, mares, ventanias e furacões, de mãos dadas, olhos nos olhos e na mesma direção.
A Paulo e a quem interessar a sugestão, que os bons tempos sejam sempre boas lembranças e os maus boas lições. Uma sexta-feira cheia de paz, bem e bençãos!

24 de outubro de 2013

Que...

"Que os desafetos não nos afetem e os afetos não nos faltem". Essa é uma frase boa para prece. Seja para quando agente pular da cama ou quando for repousar. Afinal, todos temos afetos e desafetos, nem sempre por nossa culpa os tais desafetos e geralmente por ela os afetos.
Que não coloquemos fios de comando nos outros e não deixemos colocarem em nós. Que não sejamos colocados em memórias inventadas escritas arbitrariamente em nossas vidas, pessoas que falam de coisas que nunca fizemos ou dizem que dissemos coisas que nunca saíram de nossa boca e que isso não nos afete, somos o que somos e fomos e não há nada que mude isso. Não somos responsáveis pelo que os outros falam, pensam, inventam, esperam de nós.
Que a gente seja responsável por tudo que faz, diz, pensa e que dê sempre corda e alimente com pilhas, energia elétrica e motora o que para nós for interessante, nos faça bem e não machuque ninguém. Amém!

23 de outubro de 2013

Debaixo de um chapéu

Debaixo de uma boina, muitas vezes vi meu avó, que usava uma cinza e ficava com cara de português da padaria, vale pontuar que ele era espanhol e trabalhou em padaria, não como padeiro, no caixa e em outras atividades. Procurei uma foto dele de boina para publicar, mas não consegui passar para o computador na qualidade ideal e a altura de sua beleza.
Sobre chapéus, sejam de couro, palha, linho, o uso por  tradição ou moda, acho lindo o uso pelos peões, com imagens santas por dentro, geralmente a de Nossa Senhora Aparecida e ímpar o hábito de tirar o chapéu para cumprimentar as pessoas, para entrar em casa, na igreja, para sentar-se a mesa na hora das refeições, como gesto de respeito, de educação, bem como ao falar o nome de Deus, como cronicalizei aqui dia desses.
A foto que ilustra o post recebi por e-mail da amiga Ana Paula, o chapéu é de seu sogro, Seu Antônio, que só pelo nome já me cativa. Embaixo do chapéu ou de cabecinha ao léu me encanta ver daqui ele nas fotos e saber de suas histórias com sua amada Sebastiana através do blog da nora e pelos bastidores.
Cumprimento tirando o chapéu com um comprido obrigada a quem aqui sempre passa e também a quem passa quando em vez, agradeço de chapéu na mão e coração recheado pelas histórias trocadas, emoções compartilhadas, dicas, sintonias, nostalgias, saudades, planos. Como diziam os mais velhos, cabeça não foi feita pra criar cabelo, nem para carregar chapéu, mantenhamos pois as nossas ativas e por vezes em repouso, para bons voos e pousos.

Bom dia, dendê, fé e poesia

Ilustração de Cosme e Damião por Ronaldo Mendes
Olha Cosme e Damião aqui de novo! Vim com eles, por conta do aniversário dos outros gêmeas dos 7 irmãos, Crispim e Crispiano, comemorado no dia 25 de outubro, contar de um evento que celebrou com religiosidade, gostinho de Dendê e poesia o aniversário dos gêmeos mais pop´s da família, que foi em setembro e eu mais uma vez, prozei esse ano sobre, aqui.
Um encontro de performances artísticas, vendas de livros, exposições de trabalhos diversos, revelação de novos nomes no meio literário e recitação de poesia por sete poetas, em analogia aos sete irmãos, aconteceu no Largo d’Ajuda, na charmosa cidade de Cachoeira, que apresentei aqui na minha ida a Filca no ano passado.
Dentre os nomes dos declamantes: Kátia Borges (baiana) e Elisa Lucinda. O Caruru é uma iniciativa da Casa de Barro, uma organização cultural que contribui com o desenvolvimento humano e cultural nas cidades do Recôncavo da Bahia com ações multidisciplinares de educação, arte e cidadania em prol da preservação e promoção da diversidade cultural e incentivo a escrita e a leitura (de livros e do mundo).
Tô contando desse evento hoje cedo para falar do aniversário na sexta dos outros dois irmãos, de quem já falei também aqui, de aperitivo, tipo comer feijão de café da manhã. Quem ai já fez essa extravagância gastronômica e colórica? Tem efeito de espinafre no Popeye. Meio dia volto com o prato principal.

22 de outubro de 2013

Menos, por favor!

Eu as vezes fico mareada com o exagero das pessoas, com as outras pessoas, consigo mesmas, com as coisas. Uma falta de limites, uma busca sei lá de que.
Antes por exemplo, tinha muita gente que tinha tatuagem, mas eram mais sutis, na nuca, pulso, no pé, uma imagem simbólica geralmente, hoje são pernas inteiras, os dois braços, costas inteiras, rabiscos que nem que faz sabe explicar, exageros além da minha aceitação. Para que tudo isso? Sou do tempo de dizer sem ser preconceituosa: Quer chamar a atenção? Pendura uma melancia no pescoço. Cabelos rasta são um outro exemplo, eram usados como filosofia de vida, dentro de todo uma crença, hábitos, contexto. Hoje se usa porque se usa. Se bebe porque todo mundo bebe e o que todo mundo bebe. Ter uma bebida preferida, beber só uma dose por gosto é muito fora de moda. Encher a cara é exigência básica. 
Ter rotina de acordar, tomar café, ir trabalhar, almoçar, trabalhar de novo e voltar para casa, na sexta ou final de semana um programinha, quando não der aquela vontade sadia e revigorante de ficar em casa sem fazer nada. É! Não fazer nada! Isso parece insano para muitos, sinal de depressão, perda de tempo.
Muitas são as pessoas que não param, que saem no automático, que bebem exageradamente, de segunda a segunda, que firmam compromissos de determinada coisa para todas as quintas, de ter que ir nem que chova canivete, pessoas que vão a incontáveis shows e festas, sem nenhuma distinção. Tomar um sorvete, andar no calçadão sem ser para malhar ou se exibir, ir assistir a um filme de dia, sem mil torpedos chamado para ir para balada na saída. Visitar a avó, um tio, um amigo de infância. Ficar debaixo da coberta em um dia de chuva e pedir comida chinesa ou uma pizza são hábitos de pouca gente, mas minoria não é sinal de menos.
Menos as vezes é sinal de mais. O que eu quero, gosto, a velocidade, a quantidade, por exemplo, é menor do que a maioria tem como ideal. E não quero mudar ninguém, só quero estar em meu barquinho de madeira, na companhia de quem quero bem e que os jet skis passem na velocidade que desejam, mas que por favor e educação não molhem ou atropelem quem quer navegar.

21 de outubro de 2013

# Procure saber

Eu sugeri a meu marido no inicio do mês: Vamos ver o filme sobre Steve Jobs? Ai, como de costume, fomos pesquisar quem era o ator principal e outros detalhes do filme. E eis que me deparo com declarações de pessoas próximas a Jobs e de críticos de cinema de que o Jobs do filme não tem nem pareja distante com o Jobs real. Desisti no ato de ir ver. Posso vir a assistir se passar na tv, mas sem muitas pretensões. Não fosse divulgado como biografia mas como uma história fictícia sobre Jobs, na minha opinião, seria válido e até interessante. Mas passar uma imagem que a pessoa não foi é de última na minha opinião, por a pessoa não poder opinar sobre ou esclarecer dúvidas, estando ela em outro plano e também por ser a criação de um mito de forma inconsequente.
No fio dessa meada tenho lido sobre a polêmica das biografias em solo brasileiro, encabeçada por ninguém menos que meu parceiro de dia de nascimento, ariano e contestador, Roberto Carlos, que proibiu a circulação de "Roberto Carlos em Detalhes", biografia escrita em 2006 por um jornalista, que além da queixa do rei, usou citações de outras celebridades que não gostaram de como foi colocado o que foi dito.
Procure Saber é nome do movimento polêmico contra a comercialização de biografias não autorizadas. Segundo o grupo que faz parte desse projeto, além do que se coloca no lugar comum tachado de censura, está o direito autoral, ideológico, conceitual, direito a individualidade, preservação da intimidade e da imagem de cada um, ainda que se trate de uma pessoa pública.
Tendo em vista a banalização da imagem e da informação a cerca da vida das pessoas por elas mesmas e pelos outros sem nenhum cuidado em redes sociais, declarações e publicações diversas, sem nenhum ou com pouco senso de limites, é algo difícil de entender e ser aceito, há muito na verdade é que ser mudado, retrocessos e pauses precisam ser ativados, eu defendo isso nesse tema e em tantos outros.
Além das questões pessoais o projeto Procure Saber pretende apresentar uma proposta de alteração do Código Civil, de forma a frear e normatizar interesses comerciais de escritores, editoras, biografados e seus herdeiros.
O grupo formado por: Roberto, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Erasmo Carlos e Djavan é o mesmo que no Senado consegui colocar em pauta e aprovar o projeto de lei que modifica as regras de arrecadação e distribuição de direitos autorais musicais.
O ministro Joaquim Barbosa, afirmou ser a favor da publicação de biografias não autorizadas, bem como tantos outros se posicionam nesse sentido. O assunto é polêmico e quero saber o que você visitante e leitor assíduo aqui do blog acha, pensa, pontua.
O STF anunciou audiências previstas para o final de novembro para discutir a validade dos artigos 20 e 21 do Código Civil. É nesse trecho da lei que está a margem à proibição de biografias não autorizadas, ao prever que "a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais".

19 de outubro de 2013

Trens, vagões, ontens e amanhãs

No sábado passado, dia das crianças, fui ver uma seleção de curtas no Espaço cultural de Plataforma, subúrbio ferroviário aqui de Salvador. Almoçamos em um restaurante lá perto, que tem essa vista da foto, de trilhos, mar e trem que passa.
Na entrada do espaço cultural tirei fotos do papel com a lista dos curtas exibidos, foram cinco, dentre eles, três da produtora que meu irmão faz parte, todos ímpares. Também tirei foto de um outro papel com anúncios de alguns espetáculos. Fuçando, me encantei com um, que trouxe para divulgar. 
"A história que a manhã contou ao tempo", é uma apresentação teatral encenada por um gato mal-humorado e uma amigável andorinha. Os atores personagens e a narradores, contam uma fábula sobre amor e tolerância entre seres de espécies e temperamentos diferentes, uma adaptação ta obra "O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá", de Jorge Amado.
Cotidiano contado e espichado, quero registrar minha homenagem de andorinha ao passarinho poeta cantador Vinicius de Moraes que nasceu no mesmo dia de um amigo meu de longas datas, também boêmio e mulherengo. O nome dessa pecinha de meu quebra cabeça é Carlos Wendell, que reneguei quanto pude como amigo, quase irmão de meu marido, tido como muitos amigos dos maridos, no limite entre amizade e perdição. Mas, como reza a sabedoria popular: Deus as vezes escreve certo por linhas tortas e nessas histórias que as manhãs e os amanhãs contam ao tempo, foi ele quem me deu as mãos em momentos escuros, onde as peças estavam todas embaralhadas, algumas perdidas e desde então, eu o tenho como peça de grande estima e admiração. Ele é amigo do casal e de cada um em separado, como ele faz isso? Não sei, ele não é poeta mas é um artista. 
E hoje, após incontáveis aniversários juntos, entre trilhos, trajetos, vagões, sonhos, conquistas e ilusões, ele está longe dos nossos olhos mas dentro do coração e por aqui desejo a ele e a quem quiser tomar como oração: Que sorte e escolhas bem feitas, seja uma presente combinação!

18 de outubro de 2013

Disse e vim contar

Eu disse o outro dia aqui que vinha contar sobre um dia desses que fui num restaurante que marido conhecia e eu ainda não, no qual pretendo voltar mais vezes, nem tanto pelo cardápio que ainda vou provar mais coisinhas e talvez me pegue de jeito, mas pelo que de fato me pegou por lá: o lugar.
Cadeiras e mesas plásticas com sombreiros do outro lado da rua de onde fica o restaurante promovem um desfile de bandejas e garçons atravessando a rua pouco movimentada. Os comes e bebes são servidos debaixo de graúdas amendoeiras, todas juntas como que abraçadas umas nas outras. Árvores que para mim sempre foram morada de viuvinhas, que é como conheço uns insetinhos com parentesco de padronagem com as zebras. Conhecem? Quem ai chama de outro nome me conta, adoro variações linguísticas.
Das tais viuvinhas tenho a história de competir na escola com quem elas ficavam mais tempo. Uma técnica de fundamentação nada científica, mas sedimentada na crença era a de ficavam mais tempo com a pessoa se colocadas em tecidos verdes ou partes verdes da estampa da roupa. Devíamos achar inconscientemente que as criaturas irracionais achavam que o verdume era um pedaço de árvore ou quem sabe as viuvinhas brincavam de: "Peguei no verde! A sorte é minha!" (alguém ai já brincou disso), enquanto a gente brincava de com quem elas ficariam mais tempo.
Voltando para as amendoeiras, a da foto é uma delas e marido foi o fotógrafo com a câmera do celular, nota dez pra ele. Por entre as folhas e galhos passaram frestinhas de sol e perto de ir embora repiques de chuva, uma cobertura natural, que além da sombra verdejante, tem um aroma bom de mato (eu acho bom) e fazem no chão, que por lá é de britas, um tapete crocante de folhas, . 
Preciso pontuar que acho britas pedrinhas muito versáteis, são úteis na construção, pavimentação e servem perfeitamente, do ponto de vista econômico e aerodinâmico para brincar de cinco marias, como material das brincadeiras com carrinhos e blocos de construção (brinquei muito disso com meu filho, chamávamos de brincar de obra), bem como no papel de ingrediente dos mais diversos tipos em comidinha de bonecas. Brinquei muito com britas!
Relações, árvores, insetinhos fofos, crenças e pedras devidamente cronicalizadas, vou aqui que hoje é sexta-feira e já que é dia de todos os santos aqui na Bahia, conto com todos eles para me ajudar no tanto de tarefas que tenho. Paz e bem!

17 de outubro de 2013

Por doçuras e alegrias

"Jujuba, bananada, pipoca
Cocada, queijadinha, sorvete
Chiclete, sundae de chocolate
Paçoca, mariola, quindim
Frumelo, doce de abóbora com coco
Bala juquinha, algodão doce e manjar"

Hoje eu trouxe Marisa (trecho acima)
Vanessa (trecho abaixo)
Clara (história mais abaixo)
de arremate
Para juntas, com suas palavras
Como  ingredientes de uma receita
Nos fazer suspirar e nosso dia adoçar

"Quem disse que faniquito não cura?
Quem disse que açúcar e afeto não podem curar?
A vó dizia que era perfeição
Tradição e evolução
Era o bolo que todos gostavam
Do Flamengo ao Corinthians
E a molecada espalhada voltava
Tinha o dom de agregar quem brigava
Traz amor em três dias
Ou o seu dinheiro de volta
É simpatia contra dispersão, rejeição, desilusão"

Eu acho que na medida
Afeto, doce e faniquito são uma boa pedida
Faniquito é dar piti, chutar o pau da barraca, soltar as bruxas
Com moderação hein, para não desandar a massa
Para ficar mais receitoso, segue Clara em neve

"O Rei de Açúcar tinha um menino risonho na barriga. Mas um dia veio o destino e teria de adoçar o café amargo. Ele protestou e disse que não estava na hora de derreter-se. Então, chamou a Rainha Doce e os quatro grãos de princesas do Reino Açucarado para um grande banquete de açúcar. Havia potes abertos de açúcar de todas as cores em cada canto. Tinha até açúcar refinado formando arco-íris, rio de água doce e nuvens de algodão bem docinho.
Lambuzaram-se de felicidade por toda a vida. Quem é que não fica feliz com tantos flocos de açúcar espalhados? O Rei despediu-se de todos e foi, sorrindo, tirar o amargo do café!"
Historinha criada a partir de um texto escrito pela doce Clara, filha de Rovênia, que inspirou essa postagem. Doce quinta a todos, expressão colhida nas doces quintas da amiga Gê, clica aqui para ver a última, recheada de comentários. Brinde de café e golinho de água com gás para harmonizar o paladar e fazer a digestão.

16 de outubro de 2013

De perto

Concordo com meu conterrâneo Caetano, de que de perto, ninguém é normal. E não ser normal é muito normal ao meu ver. Parece maluco, filosófico, mas é bem simples. O que há de errado por exemplo em tomar café, suco ou qualquer coisa mexível, com a colher dentro? Eu tomo e acho até que fica tudo mais gostoso, sem falar da atenção necessária para não enfiar o cabo da colher no olho, que bem pode ser treino das habilidades de mira e reflexo por exemplo.
Uma criança querer sair na calçada ou parar no meio da rua para colocar um barco de papel na corredeira da chuva que cai, para mim é normal, anormal  é adulto que surta com isso, racionaliza, faz declamações e argumentações tipo barca furada.
E em casa, no aconchego de nosso lar, o que tem de anormal em passar a bolacha dentro do pote da manteiga sem usar a faca como atravessadora? E molhar as tais bolachas amanteigadas ou secas e pão no café, além das paredes de nossas casinhas, na minha opinião não devia ser falta de educação ou visto como coisa do outro mundo, eu lanço essa proposta como molhadora oficial. Quem tá comigo?
Mania que as pessoas tem de ficar achando anormal coisas prosaicas e achando normal, se acostumando e replicando coisas não muito normais e prejudiciais a saúde, a coletividade e por ai lá vai. E tenho dito!

15 de outubro de 2013

Amada língua portuguesa

Hoje pelo dia dos professores, eu, formada em Letras vernáculas,  trouxe aulinha de português, com minha admiração e reconhecimento do valor da profissão, dessa matéria em especial, minha critica aos muitos profissionais nada profissionais, aos que são heróis Brasil e mundo afora, aos bons professores que tive e de quem me lembro nomes, jeitos, aos de meu filho, a quem ensina, educa, inspira.
Semântica é o assunto do dia. Acho linda essa palavra, soa manhosa. E acho esquisita a sua parenta: morfossintaxe, parece uma fotossíntese mofada. Devaneios linguísticos a parte, quem não tem muita intimidade com a Língua portuguesa, gosta mais da simpática semântica do que da nada sintética morfosíntese.
Li na Revista da Livraria cultura e trouxe para compartilhar, para falarmos e pormos os pontos nos is e o pôr no lugar de colocar. Não entendeu nada? Segue a explicação: 
"Muita gente, pelo menos quando escreve, parece ter banido do vocabulário o verbo “pôr”, substituindo-o pelo sinônimo “colocar”, aparentemente mais formal ou, quem sabe, elegante.
É por isso que já terá o leitor topado com construções como colocar um imóvel à venda,colocar um projeto em prática, colocar as contas em dia, colocar um tema em discussão, colocar uma pessoa em contato com outra, colocar um plano em ação, colocar a reforma política em pauta e muitas outras similares.
Convém lembrar que o verbo “colocar” vem do latim (“cum” + “locare”), o que lhe dá o sentido original de “pôr alguma coisa em seu lugar”, enquanto o verbo “pôr” funciona não apenas como verbo pleno, quando seu sentido se emparelha com o de “colocar”, mas também como verbo-suporte, situação em que constitui com o substantivo seguinte um todo semântico. Assim, pode-se dizer que é um elemento constituinte de algumas expressões: pôr em destaque (destacar), pôr em ação (acionar), pôr em prática, pôr em pauta, pôr em votação, pôr em dia, pôr à prova etc.
A franca preferência pelo verbo “colocar”, sobretudo nos textos da imprensa e do universo corporativo, faz parecer que estamos diante de um modismo. Como sabemos, porém, não existe sinonímia perfeita. Os termos carregam traços semânticos que lhes são próprios, seja no sentido denotativo, seja no plano figurado da linguagem. É por isso que tanto mais adequada será a escolha vocabular quanto mais considerar as nuances e sutilezas de significado de cada palavra."

14 de outubro de 2013

Limites enriquecedores

Padre Fábio a quem sempre ouço e leio disse: "Ao dizer eu sou isso, naturalmente estou dizendo também que não sou aquilo que negaria o que sou. Parece jogo de palavras, mas não é. Ao identificar que sou Fábio, naturalmente estou dizendo que não sou Fernando. A identificação é também diferenciação, porque em toda afirmação há sempre uma infinidade de negações latentes.
Essa identidade necessita ser cultivada. Vivemos constantemente esse processo. O tempo todo reivindicamos o que somos, e também renunciamos o que não somos. Identidade estabelece limites, assim como os conceitos limitam a realidade. Limite que não pode ser considerado como negativo.
Limitar é delimitar o local do encontro. É um jeito que temos de não nos perdermos neste mundo de tantas coisas. O limite favorece a compreensão da realidade existente. Um espaço delimitado é um espaço encontrado, identificado. Ao identificar o que sou, assumo a legitimidade de minha natureza. Digo o que posso e também o que não posso. Por isso o limite é positivo. Ele me proporciona um agir coerente, porque me posiciona a partir do que sou e não do que eu gostaria que fosse.
Nossa identidade nos limita, não para nos empobrecer, mas, ao contrário, para nos favorecer o crescimento. Quem sabe bem o que é e o que não é terá mais facilidade de explorar suas possibilidades, uma vez que os limites já estão apreendidos também. Apreender e conhecer os limites que se tem é um jeito interessante de potencializar as qualidades que nos são próprias." Que tenhamos uma semana de limites e possibilidades, transparência, paz e bem.

13 de outubro de 2013

GG

Não! Não vou falar de tamanho de roupas. GG foi a sigla que me ocorreu ao ler uma postagem de meu amiguinho Pedrinho, que me fez desatinar a escrever sobre dois personagens secundários de duas histórias clássicas que amo. O Grilo de Pinóquio e o Gato de Alice no pais das maravilhas.
Já havia idealizado escrever sobre eles, mas nunca de uma só vez. E eis-me aqui, falante como grilo e como gato e surpresa por não ter ligado nunca um ao outro através da veia filosófica que lhes é peculiar. Eu, além dos personagens, gosto dos animais: grilos e gatos.
O Gato de Cheshire, também chamado de Gato Risonho, Gato Listrado ou Gato Querri, some e aparece com seu sorriso largo e faz sempre reflexões filosóficas. O felino é um dos poucos personagens que dialoga e orienta a menina Alice, explicando, ainda que de forma confusa e perturbadora, certas regras do país das maravilhas. De curiosidade pescada por ai, descobri que a famosa banda de hard rock norte-americana: Aerosmith, deu o nome a uma de suas músicas de: "Rock in a Hard Place Cheshire Cat". A música faz uma menção ao sorriso do gato.
O Grilo Falante, simpático além de sábio e filosófico, é o companheiro bem humorado de Pinóquio em suas aventuras. Foi criado para ser a consciência do garoto e  seu nome original: Jiminy Cricket, é um eufemismo de Jesus Christ. Sua primeira aparição nos quadrinhos foi nos idos de 1939 numa tirinha de jornal intitulada Pinóquio.
Ele foi o primeiro personagem animado a falar diretamente com público em filmes e este fato o transformou em um dos maiores contadores de história da época e lhe rendeu o cargo de apresentador do longa “Como é bom se divertir” (de 1947), bem como diversas aparições em programas de TV da Disney. Um bom grilo para se ter e fazer as vezes de vaga-lume nos pensamentos e ideias da gente. Filosofices, sorrisos largos, piscadinhas iluminadas e o desejo de um domingo encantado e fantástico.

12 de outubro de 2013

Infância em nós

"Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão"
Trecho de uma canção, poema, oração de Milton Nascimento
"Toda bola de gude sonha em permanecer na mão de um menino, pois sabe que ao ser jogada no chão deixará rastros a serem perseguidos por ele. Assim, a história de ambos será escrita pelos rastros percorridos. Contudo, nem todas as certezas são compartilhadas por todos, menos ainda quando se tratam das certezas de uma bola de gude". Reflexão de Eder Ribeiro e Déia Tolda.
Muito pouco é certo, garantido, como leite de mãe, como dizia um personagem de uma novela. Estive refletindo sobre algo interessante e resolvi hoje, dia das crianças e de Nossa Senhora aparecida.
Minha reflexão é a de que quando agente é bem pequeno e não entende nada de nada, fazemos vários coisas sem medo, sem vergonha, sem muitas ambições e assim vamos descobrindo e acreditando ou duvidando que cachorro late, que o céu é azul, tudo na medida do que vemos e dentro das visões e conceitos de quem nos apresenta o mundo e do que misteriosamente já trazemos em nós.
Quando se é jovem começam a aparecer as certezas absolutas, tomamos partido até do que não temos o menor conhecimento ou envolvimento, defendemos, apanhamos e lançamos axiomas ao vento. Axiomas para quem não sabe são as ditas verdades inquestionáveis, universalmente válidas, utilizadas como base para argumentações.
A palavra axioma deriva da grega axios, cujo significado é digno ou válido. Em muitos contextos, axioma é sinônimo de dogma, lei ou princípio. E não é porque é dogma que é incontestável ou correto. Amadurecer é isso, contestar e não sair assinado embaixo de tudo, ao mesmo tempo que aceitar sem questionar, para não se desgastar ou para formar alguma opinião após as águas turbulentas se acomodarem no fundo do rio. A sabedoria e graça de crescer consiste em se permitir não ter certezas, só que não com os olhos dos outros, mas com os nossos, com o horizonte mais largo, menos peso, curiosidade, com um olhar para frente espiando para trás.
Penso que as brincadeiras e experiencias não vividas por muitas crianças de hoje lhes exclui do aprendizado inerente ao divertimento e descompromisso, as brincadeiras e brinquedos são como nós para nós, marquinhas, amarradinhos, laços que se formam com nossos passos futuros.
O rastro e a mira nas jogadas de gudes, as regras dos tabuleiros de dama, do ludo, as compras e vendas no Banco imobiliário, a arrumação das peças no jogo de botão, as acrobacias das cinco marias, o elástico pulado, o dar a vez, o perder e ganhar, o se aprimorar com a prática, as canções enquanto se brinca, tudo usado ainda que inconsciente quando a brincadeira é a vera, valendo vida, literalmente.

11 de outubro de 2013

Olha o passarinho!

 
"Pela lente, zum
Acertei o pássaro em cheio
E bem no clique me veio
Teleeobjetivamente um não saber
Se o guardava ali pra sempre
Ou (receio)
Se de algum modo o abatia em minhas retinas
Que não o enxergaram
Pleno da pureza desarmada
Que seria tê-lo visto sem retê-lo
Depois apaguei a imagem do aparelho
Aliviado em fazê-lo
Como quem liberta um canarinho breve da gaiola
Pixeleve
Para o céu do instante"
Passaverso de Marcílio Godoi
Que o gato lá embaixo não leia o título e resolva mudar de post. Brincadeirinha a parte, o assunto hoje é a frase que acompanhou por muitos anos a hora de tirar fotografia quando antigamente as pessoas se posicionavam, arrumavam-se cuidadosamente, estampavam um sorriso no rosto sem muitos exageros ou ficavam sérias a depender da ocasião. E sabem de onde veio essa expressão apassarinhada?
Segundo o que dizem, a famosa frase surgiu quando foi inventada a máquina fotográfica, no fim do século XIX, quando o tempo necessário para fixar a imagem, por conta dos equipamentos, era mais demorado do que hoje e para tal, as pessoas tinham que ficar concentradinhas, olhando fixamente para a lente do retratista (como era chamado o fotógrafo), que costumava colocar uma gaiola com um passarinho acima da máquina para todos olharem para um ponto que ao mesmo tempo fixasse o olhar e distraísse, que fizesse sorrir ao se pronunciar as palavrinhas mágicas.
Hoje, as imagens são capturadas em milésimos de segundo e tudo é fotografado o tempo todo, sendo que muito pouco é revelado, não se coloca mais datas nas fotos, não se monta álbuns físicos, tudo fica entulhado em aparelhinhos que podem quebrar, ficarão obsoletos e serão colocados de lado, muitas vezes sem o cuidado de transferir os registros que se perderão no tempo e o tempo de um retrato não volta mais.
E nessa onda se fotografar tudo o tempo tempo, as vezes é preciso que meia dúzias de pessoas na mesa fotografem o vinho, a salada ou a sobremesa para se poder se servir. Somos fotografados e compartilhados sem nenhum senso de individualidade. Arrancamos flores que ao chegar em casa pousamos na mesa e nem sequer damos água, podendo ela ter ficado viva e triunfante em seu lugar de origem, assim como fazemos crianças, idosos, amigos, animais, cenas se congelarem para um clique, geralmente vários, sendo mais vivaz não parar o momento, guardar na memória, vivenciar e depois ou durante, sem exigências, fotografar com sensos de conveniência e oportunidade mais apurados.
Tanta gente hoje diz que gosta de fotos, mas na verdade fotografar se tornou uma mania, sem interesse pelas técnicas, sem vivência dos momentos capturados pelas lentes, um forma de exibição, realidades e histórias criadas em cima do que é clicado e não o inverso. O por do sol acontecendo e geral fotografando e um ou dois assistindo para depois clicar o que viu ou não, nem tudo tem que ser registrado, como se fossem preciso provas e fontes táteis de recordação. Fogos do ano novo e antes da comemoração, desejos, rituais, a foto do que talvez nem dê tempo de comemorar pois vai compartilhar, comentar etc.
Muitos retratos tirados hoje em dia tem como história o retrato e só. Chegasse num lugar e antes de cumprimentar todo mundo, mil fotos e no meio da celebração mais fotos e antes de ir embora, outras tantas e isso é muito chato. Como disse quintana: "No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não consegue levar: um estribilho antigo, um carinho no momento preciso, o folhear de um livro de poemas, cheiro que tinha um dia o próprio vento".

10 de outubro de 2013

De repente: Cordel

O nome do post foi inspiração daqui, um site para conhecer, folear, ver e ouvir a gosto. Ouvi falar do Nobel de literatura na tv hoje e lembrei de contar sobre minha descoberta de que existe a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, assim que soube pensei me arriscar em escrever um poemas em forma de cordel para entrar para essa academia menos concorrida que a de Letras e tão honrosa quanto, se sair alguma coisa em parceria com algum(a) xilógrafo(a) eu conto.
Descobri tanta coisa legal, além do que sempre achei legal nessa forma de arte literária, acho bacana os assuntos folclóricos, os desenhos, a linguagem popular, as rimas. “Me explica, Me Ensina” é um projeto de extensão do curso de Letras, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que achei bem legal e para se imitar. A Literatura de Cordel é uma modalidade impressa de poesia, muito estigmatizada que diz-se hoje em dia ser bem aceita e respeitada, mas eu acho que é fake essa aceitação, tanto quanto muitas outras.
A cada dia é bem verdade, o lado lúdico, a função de objeto característico do nordeste e até a qualidade dos textos são reconhecidos, embora mais pelos estrangeiros que pelos próprios brasileiros. Os livretinhos que tem o tamanho padrão de 11x16cm são fabricados de forma manual pelo próprio autor e tem geralmente 8 páginas, mas podem ter mais e bem podiam ser lembrancinhas com temas adaptados de festas de todo tipo, nas comemorações cívicas nas escolas etc.
Há coletâneas publicadas, mas no geral a produção e venda são de rua e portanto não há como catalogar, nem mesmo dimensionar a variedade e quantidade de exemplares e de autores espalhados por todo nordeste e além fronteiras.
Assim como muito da nossa cultura, a literatura de cordel é de influência portuguesa, que por tradição tinham trovadores, autores de poesias que as declamavam para o povo e versavam sobre cultura popular, cotidiano, humor, amor, sempre acompanhados por uma viola, daí a figura repentista.
Dentre os diversos temas, o folclore, a política e o uso de imagens estereotipadas são os mais comuns. Além desses e enviesados neles, estão relacionamentos amorosos, familiares, profissionais, personalidades, etc. Uma das características marcantes das produção é a manifestação da opinião do autor. Os cordéis não tem a pretensão, nem o cuidado pode-se dizer, de serem impessoais ou imparciais, pelo contrário, são diretos e persuasivos.
Cordelices e cordialidades a todos nesse início de tarde, antes que eu tarde pontuar, cultura popular não é coisa de pobre, nem conhecimentos finos coisa de rico, tudo é pra todos, podemos e deveríamos ser: múltiplos.

Gatices

Na idade média, acreditava-se que os gatos pretos eram bruxas transformadas em animais. Santa, ou nem tanto, criatividade. Daí a crendice de que cruzar com gato preto é azar na certa. Dizem porém, os místicos e amantes dos felinos, que gato preto em casa chama dinheiro e que atrai boa sorte acariciar um.
Os arautos do boca a boca popular rezam ainda que gatos podem ver a alma das pessoas, que filtram más energias e que se um gato dobrar suas patas dianteiras e se deitar sobre elas é sinal de chuva por vir. Gatos presentem, segundo estudos científicos, alguns eventos naturais, são sensitivos de fato.
Nenhum gato por aqui de patas cruzadas, preto, nem branco, vou fechar falando do vocábulo: superstição, que além do trio de sílabas juntas (rst), uma pedra no sapato dos não muitos íntimos da grafia correta, tem sua origem derivada do latim: superstitio, resumidamente: “crença contrária a razão".
Com razão ou sem razão, com ou sem gatos ou cachorros, papagaios ou periquitos, acreditar é importante, não ser cético, totalmente prático, tátil, ter superstições, por que não e ter fé, de qualquer tamanho ou credo. Um dia de gatices, preguiça, graça e garbo a todos.

9 de outubro de 2013

Impressões e histórias para contar

Tecer qualquer prece
História
Trocadilhos que sigam ou saiam dos trilhos
Um santuário para o silêncio
Um silenciário cheio de vento por dentro
Para assoprar o que for ruim para longe
Para refrescar e fazer florir o que for bom
Pequenices
Adoráveis nadas
Poesias e violas em nossas sacolas
Escrevi o poema acima, para compor essa postagem sobre um dia desses quando fui levar uns arquivos para impressão, dentre eles um de etiquetas para correspondência e o atendente me perguntou: - Tina Bau Couto é a senhora. E logo depois: - Você tem um blog? É de que?
Eu disse: De crônicas, histórias, poesias e ele com tom de surpresa: - Ainda existe gente que escreve e lê poemas?
Respondi contando a ele, caso ele não soubesse, imaginei que não, que um livro de poesias de um poeta brasileiro estava no topo dos mais lidos. Ele se surpreendeu ainda mais e me falou que odiou os tons cinzentos (odiou e leu os três). Porque o senhor não parou no primeiro? Ou deixou de lado,pela metade, o primeiro mesmo? Eu pensei em indagar, mas deixei quieto.
Serviço gráfico sendo realizado, moço liminskamente pensante, eu vibrando para ele passar a ler poesias e eis que ele me diz que o pai nasceu numa cidade do interior de Pernambuco que é conhecida como a cidade dos poetas, me perguntou se eu já tinha ouvido falar do lugar, disse o nome da tal cidade e eu anotei, pesquisei. Nunca tinha ouvido falar e trouxe para cá um compacto e quem sabe um dia, eu vá lá.
Conhecido como berço dos poetas e cantadores, o município de São José do Egito, no alto sertão do Pajeú, a alguns quilômetros de Recife, merecia um espaço dedicado a sua tradição e memória poéticas e o Memorial da Poesia Popular, onde poetas e repentistas terão suas histórias contadas e registradas para posteridade, além de ponto de encontro de declamadores, trovadores, repentistas e cordelistas, é esse espaço, onde artistas com profissões das mais variadas ou artistas genuinamente de rua, o padre da paróquia, poetas e poetizas de todas as idades e níveis de instrução, levam e trazem poesia para seus dias e dos que por ali crescem ou passam.
Lá em São José, a poesia caminha em família, em sintonia com o santo católico, lado a lado com a cantoria de viola, que versa e proza por variados temas e estilos e são disciplina, chamada: Literatura Sertaneja, em um colégio particular local. E também abordadas interdisciplinarmente nas escolas da rede municipal e presentes na liturgia das missas. Amei saber e amei contar.

8 de outubro de 2013

Por + sorrisos

Monteiro Drummond, que me remete a uma mistura de Monteiro Lobato com Carlos Drummond, é uma empresa com atuação no mercado de prestação de serviços e treinamentos para a melhora das prestações de serviços e implantação de padrões de excelência no atendimento ao cliente.
Essa empresa criou uma proposta que achei muito útil e necessária, pois como diz a sabedoria popular: o sorriso é uma curva que endireita muita coisa e #temquesorrir é uma proposta de garimpar com a ajuda dos consumidores, usar de exemplo e premiar quem faz a diferença no dia a dia dos serviços no Rio de Janeiro.
O objetivo é humanizar o atendimento de bares a lojas de todo tipo, que vão do mais ou menos ao péssimo atendimento, com caras feias, má vontade e uma sensação de que os vendedores não ganham por comissão ou que estamos pedindo favores a eles e isso acontece aqui na Bahia também, terra do bom-humor, simpatia e axé. Na verdade, acontece em muitos lugares, assim como tem por aqui e por ai, muitos estabelecimentos que encantam e dão show de bom atendimento.
Um coisa que eu acho que tem que mudar é o precisar ser íntimo, frequentador assíduo, amigo do amigo, cliente vip para ser bem tratado nos lugares, para a hora marcada ser válida, para o atendimento ser acompanhado de sorriso e boa vontade. Mal-humor, despreparo, inconformidade de tratamento do serviço prestado com o prestador, exemplo: servir comida e vender sapatos tem particularidades de manuseio, linguagem e peculiaridades bem distintas.
E outra coisa que tem que mudar é o impeto de individualismo das pessoas, que colocam sua pressa e seus interesses acima do que é direito do outro e seu também,  muito comum quem reclama passar recibo de chato e estressado. Não reclamar te faz sair sem o serviço bem prestado, sem o desconto, sem qualidade e quando em vez com o produto e um sapo no meio da goela.
O projeto no Face se chama: “Não basta servir, tem que sorrir” e a ação é a priori apenas para os estabelecimentos do Rio. Acho que dar uma espiada, se inspirar, sugerir e fazer algo nesse sentido é super válido. Os próprios comerciantes podiam pensar nisso, além de nós consumidores e essas pequenas mudanças de comportamento mudam muita coisa além da relação de consumo, mudam as relações interpessoais, mudam a sociedade, pois ainda que hajam leis ou não, além delas está o comportamento e papel do individuo, cheio de super-poderes, sem romantismo ou idealismo ingênuo, na real, a mudança somos cada um de nós e temos que fazer nossa parte, exigir o que é coretro, persistir, mudar, contagiar, cobrar, #issomudaomundo.

7 de outubro de 2013

Planos de carreira e prazer

Trabalhar é na maioria das vezes necessário seja financeira, social ou emocionalmente e em alguns casos é um prazer. Muito bom quando é assim. Eu não ganho dinheiro com meu trabalho diário caseiro, mas sou remunerada de outras maneiras, com a casa em dia, com a família, o prazer e privilégio de participar do cotidiano das pessoas que gosto e a minha atividade que ainda não é profissional de escrever para mim é uma função que já ultrapassa a minha necessidade, tem se mostrado necessidade de muitos, inspiração, troca e isso não se mede em valores monetários.
Durval Sampaio, mais conhecido como Du E-Holic trabalha no que ama, ele é chapeleiro. Alguém ai já ouvi falar dele? A ideia parecia meio louca, mas o sucesso do negócio é uma conquista e uma alegria para o ex engenheiro, agora costureiro. Tudo começou quando ele não achou um chapéu que idealizava para ir a uma festa e decidiu então fazer um, que foi o primeiro de muitos feitos para si e para dar a amigos e em pouco tempo Durval estava criando chapéus de diferentes padrões e tenho seu trabalho procurado e elogiado.
Na Vila Madalena, bairro paulistano, em 2010 surgiu a E-Holic que além de loja, era também a casa de Du. Lá ele vendia chapéus dos mais variados modelo, feitos dos mais variados tipos de materiais, todos com uma característica pitoresca e personalizada: cada chapéus levava uma etiqueta com o título da música que estava sendo ouvida por Du enquanto confeccionava a peça. Em janeiro de 2013, com suas economias e um furgão de 1952 ele deu início ao projeto Chapéu sem CEP, cruzando o Brasil com sua máquina Singer, produzindo chapéus, dando cursos e promovendo oficinas em comunidades carentes.
Com apenas uma máquina de costura, aviamentos, pedaços de tecido, materiais diversos, muita criatividade e vontade, Durval, clica aqui e aqui para conhecer ele e seu trabalho, costura seu plano de carreira e vida em uma só peça e eu tiro o chapéu para ele.
Falando em tirar o chapéu, mudando o rumo da prosa, acho muito legal ver o pessoal da roça ou gente mais antiga nascida e criada nos interiores de nosso pais, cheio de infinitos, tirarem o chapéu ao falarem o nome de Deus. Em qualquer contexto ou situação, naturalmente em meio a um papo, longo ou ligeiro, é automático, tipo, a cada: Deus me livre!, Se Deus quiser!, Deus é quem sabe!, o chapéu, boné ou o que seja é tirado da cabeça em sinal de respeito.
Tem minha admiração essas pessoas simples, de fé e respeito e a todos que vivem dignamente, correm atrás, fazem acontecer, levantam e andam, correm e as vezes até voam. "O cara que sonha alto pode chegar em cima de uma árvore, o que sonha baixo, não sai do chão." Emicida
Que as segundas sejam dias de não ter preguiça e agradecer por ter trabalho, faca no dente e vamos em frente!

5 de outubro de 2013

Aceno com e dos lenços

Imaginem eu com um lencinho para o alto acenando pedindo atenção! Imaginaram? Todos prestando atenção? Lenço tamanho echarpe para os distraídos, aberto em asa, vamos lá então, a história é a seguinte: dezenove não é vinte e ainda tem um porém, noventa e nove não é cem, não resisti em citar essa rima boba, para dizer que não tenho ainda a quantidade de lenços necessários para as tantas doações que quero e vou fazer.
Na minha programação e divulgação aqui estava marcado para hoje um chá das lençadas onde todo mundo usaria lenços na cabeça e seriam contabilizadas as doações. Não aconteceu o chá por ter racionalizado que o dinheiro investido na organização, comes e bebes seria melhor aproveitado se revertido para lencinhos, além do que alguns pacotes estão em viagem lenta por causa da greve dos correios e as doações periféricas no ritmo de adiamentos por motivos n.
Em resumo, essa semana que vem vou fazer uma fechação de contas e irei aos locais de doação para acertar detalhes, além de dois cafezinhos simplórios marcados no shopping, um com uma turma família e outro com as meninas que contei que convidei para amadrinhar o projeto, para alinharmos o que foi conseguido e trocarmos figurinhas sobre novas propostas, como a de uma ida nossa agora em outubro, pelo outubro rosa, para alguma ação e apresentação do projeto nos locais de doação, com a promessa e sementinha de lenços e carinho porvir para os pacientes.
Dentre as muitas doações recebidas, muito carinho para o projeto e para mim, aproveito para registrar aqui minha gratidão coletiva e individual a cada um que enviou um ou muitos lenços e mimos em forma de bilhetinhos, cartões, presentinhos. Dentre as esperas de chegada via correio, está uma com bordado a mão e de coração em um lencinho para eu chamar de meu e outra, tardia por que descobri essa flor menina guerreira no campo florido da internet recentemente e esse lenço que vem voando e estou esperando é especial. Vale muito o clique nessa sequencia de link´s: aqui, aqui e aqui, para conhecer Evelin Scarelli e Flavia Flores (sim esse é o sobrenome dela), suas histórias e ações lençadas e encantadas. Bom restinho ainda polpudo de sábado, bom domingo e boas ações a todos de bons corações.
"Não é preciso agendar, entrar em fila, contar com a sorte, acordar cedo para pegar senha: a possibilidade de recomeço está disponível o tempo todo, na maior parte dos casos. Não tem mistério, ela vem embrulhada com o papel bonito de cada instante novo, essa página em branco que olha pra gente sem ter a mínima ideia do que escolheremos escrever nas suas linhas. O que é preciso mesmo é coragem para abrir o presente" (Ana Jácomo)

Polvilho de costumes e culturas

Para começar vou fazer confissões, uma é que acho fofa, gostosa de falar a palavra polvilho, palavrinha comum em receitas: polvilhar a assadeira, a massa. Confissão de número dois é que tenho uma agonia horrível ao pegar em farinha, espalhar na mármore então, nem pensar, só de ver a imagem me arrepio. Mas adoro tudo com farinha de todo tipo e biscoitinhos de polvilho, eu amo e sou capaz de comer um saco do tamanho dos de farinha de feira se não me tirarem de perto deles, acompanhados de cafezinho então, sai da frente.
Tenho exigências, eles tem que estar bem novinhos, torradinhos e desmanchando. Não sei se tem esse biscoito em todo Brasil e mundo afora, mas em terras nordestinas é de praxe e leva nomes populares derivativos de leveza como avoador, voador, biscoito de vento.
De polvilho a povos, uma coisa que é tão comum aqui no nordeste e tão estranha para quem é de outros lugares, pelo frio, por não serem locais litorâneos ou pelo hábito local, é homens andarem sem camisa e mulheres de shortinhos e camisetas e sair de casa de cabelos molhados. Engraçado como é tão comum aqui e estranho por ai. E assim são outros costumes, como o de dar um beijo num lado e outro no outro do rosto ao cumprimentar ou um beijo só. Tem as mil maneiras de chamar o garçom e tantas outras coisinhas. Na minha opinião isso tudo é muito legal e não deve ser disfarçado, quando por gosto pode até ser copiado, adquirido-se novos hábitos, mas cada detalhinho desse nos representa.
Somos raízes e asas, eu por exemplo, tenho orgulho de ser nordestina, acho lindo falar francês, acho chique usar sobretudo e sobretudo acho chique ter estilo pessoal e identidade própria, respeitar a diferença, saber-se parte de um mosaico e ver os outros e suas culturas, como peças que se completam.

4 de outubro de 2013

Entre rios, mares e males

Como hoje é dia de São Francisco resolvi postar de novo para cronicalizar e apelar pela preservação e cuidados com o velho Chico, que tem a sua nascente na Serra da Canastra lá em Minas e deságue entre Sergipe e Alagoas, cutucada pela prisão e enquadramento de piratas para os integrantes do Green Peace em defesa do Ártico, dentre eles uma bióloga brasileira, enquanto piratas saqueadores aterrorizam o mar, com pontos certos e não se faz um cerco a eles, como o feito aos ativistas, que por não serem criminosos, eis a constatação, não ofereciam perigo. O fato é que o gelo do Ártico está derretendo e dentre os males causados por esse derretimento, muitos ursos polares lutam para sobreviver, a plataforma de petróleo por lá vai causar impactos e os detalhes eu não sei explicar, mas sei que no nosso Chico a fauna e a flora são um capítulo a parte e folcloricamente o danado é citado em diversas histórias, lendas e músicas, vigiadas pelos olhos das carrancas que espantam os maus espíritos. Elas, as carrancas, estiveram inté por aqui dia desses.
O estado de degradação em que o rio se encontra e os planos mirabolantes propostos para resolver seus problemas, bem como a questão do derretimento das geleiras e tantas outras catástrofes ambientais, são além dos maus modos individuais dos seres humanos, o reflexo da maneira como os governantes administram e zelam pelos recursos naturais, com descaso, ganância, politicagem e irresponsabilidade para dizer o mínimo. E tenho dito!

Viva São Francisco

Fonte da imagem com poesia aqui
Quando São Francisco de Asis nasceu, o bispo de sua região, conhecido como Mestre Rufino, escreveu um tratado chamado: De Bono Pacis - O bem da paz, documento que influenciou o pensamento místico sobre o significado da paz, em Assis, lá na Itália. Para quem não sabe, é originária dos franciscanos a saudação que tanto gosto de usar: Paz e bem!
Tenho especial candura por esse santinho, pelos trajes franciscanos, os nozinhos do cordão, o capuz, a cor de terra,  pés no chão, simplicidade e os amigos passarinhos. O Papa de quem eu já havia ido com a cara, como se diz aqui, ao escolher o nome de Francisco me laçou e através de suas palavras e gestos tem tido mais e mais minha simpatia a cada dia.
Bençãos de São Francisco, asas de anjos e de pássaros para nossa fé, nossos sonhos e bons sentimentos.

3 de outubro de 2013

De um ou mais times

"Me enternece ver um homem rezando pro seu time ganhar
Mal sabe ele que Deus não pode, neste caso, exatamente ajudar
Está impedido de torcer
Proibido de cooperar
É também juiz e interferir lá do céu é quase roubar
Não importa  se o jogo é do Flamengo, Botafogo
Vasco, Grêmio São Paulo, Bahia,sei lá
Nem ao Corinthians que está na Bíblia
Deus se permite ter poder de apoiar
...
Já vi  torcedor apaixonado, de rubro negro trajado, todo molhado
Debaixo de temporal no maracanã, no frio  
Tendo só a esperança pra se  aquecer
Você me pergunta: Porque isso, pra quê?
Te digo: O certo é que um homem precisa pertencer
A grupos, bandos, bandas, escolas, jongos
Corais, elencos, famílias, regiões,
Legiões, maltas, quadrilhas
Bom quando é pela paz
É coletivo de maravilhas quando junto o conjunto homem brilha
É preciso  alcançar o arquipélago
Para que o sonho de um homem não seja assunto de uma só de  ilha"
A foto do post é de uma menina que gosta de futebol que nem eu
Minha amiguinha Juju
Nunca calcei chuteira nem tive uniforme
Mas já dei chutes em muitas canelas alheias 
E berrei que nem louca com gol´s
O poema que se chama: Poema de várzea, é de Elisa Lucinda
Achei que um dia só dela aqui na semana passada foi pouco
E como muitos desconheciam seu lado poetiza
Trouxe a baila esse poema
Que ao ler me lembrei do Conto da ilha desconhecida
Do por mim amado Saramago
Ver post aqui
E também lembrei de um poema que fiz certa vez
E eu mesma adorei
Clica aqui para ler
Bola pro mato, para o alto, para frente
Pertençamos e sejamos pertencentes
De margens, de rios, de sol, de passarinhos, de gente
De paz e de bem
Amém!

2 de outubro de 2013

Brincadeiras de criança

O joguinho cinco-marias, aquele de fazer malabares com quadradinhos de pano com areia, farinha, arroz ou feijão dentro, tem origem em um costume da Grécia antiga, você sabia?
Pois é! Quando queriam consultar os Deuses ou tirar a sorte, os homens jogavam ossinhos para cima e observavam como caíam. Cada lado do ossinho tinha um nome e um valor e as respostas divinas às perguntas humanas eram interpretadas a partir da soma desses números. O lado mais liso era chamado kyon (valia 1 ponto), o menos liso, coos (6 pontos); o côncavo, yption (3 pontos), e o convexo, pranes (4 pontos).
O mais legal que descobri nessa descoberta é que essa pode ser a origem dos dados. Dados, do latim: dadus: dado pelos deuses, segundo Renata Meirelles, autora do livro "Giramundo e outros brinquedos e brincadeiras dos meninos do Brasil".
Com o tempo, a criatividade foi substituindo os ossinhos por pedrinhas, sementes, pedaços de telha, tampinhas de garrafa a saquinhos de tecido com recheios diversos e as variações dos arremessos foram evoluindo e sequencias desafiadoras a destreza foram sendo criadas. Diversão como única intenção e os Deuses imagino, assistindo e batendo palmas acompanhando as cantigas repetidas que faziam parte da maioria das brincadeiras e fazem parte da memória de muitos adultos e idosos.
Há vários jeitos e níveis de jogar as cinco marias, como havia de pular elástico, um brinquedo-brincadeira que eu amava e brinquei muito entre irmãs, amigas e cadeiras. Ono um! Ono dois! Ono três! Zig-zag! Zig-zag! Sai! Clica aqui para ver, ler, relembrar aprender e ensinar outras tantas brincadeiras legais. Esse elástico da imagem, com catavento de enfeite, para pular, voar e se divertir, super colorido e produzido (o meu era branco, fino e sujinho, amarrado com um nó cego, ou vários) foi feito pela talentosa Anahi, que faz elásticos, kits de cinco marias e vários brinquedinhos e objetos artesanais, tudo caprichado. Confere aqui a lojinha dela, chamada Artesaná. Pra rimar, vou aqui e volto já! Quantos passos? Dez. De que? De girafa. 1, 2, 3...

1 de outubro de 2013

Olhos nos olhos

"Quanto maior é o numero de defeitos que um ser humano tem
Maior é a responsabilidade que ele tem de correr atrás das virtudes" 
Pe. Fábio de Melo falou e eu assino embaixo
E ainda brigo e sacudo a roseira
Nada de bater no peito e dizer sou assim mesmo
Nada de dizer que não consegue, que é difícil
Nós podemos tudo
Nós podemos sempre mais
Simbora atrás de melhorar, corrigir e mudar
Bola pra frente que atrás, do lado e na frete tem gente
Tem bicho, tem coisas
E um mundão com e sem porteiras
Bem vindo mês de outubro
E cada dia novo
Olhemos para dentro de nós e nos olhos uns dos outros
E façamos por onde